quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Caldeirão de Brasília













Foto: Augusto Areal/www.infobrasilia.com.br


Com 47 anos a Rodoviária de Brasília tornou-se um centro comercial que não deixa a desejar a outras da cidade


Laís Braz

Do Calango Net News


Os preços populares e a praticidade atraem todos os dias mais de meio milhão de pessoas às lojas da Rodoviária do Plano Piloto. A variedade de produtos e quiosques torna-se perceptível ao andar pela plataforma superior e inferior. Lá se encontram de livros até a carne para o almoço.

Criada na construção de Brasília, a Rodoviária é o marco zero da cidade, lugar de fácil acesso a toda a população do Distrito Federal. Já que do terminal partem ônibus para todas as cidades satélites e também para o entorno. Os comerciantes recém chegados à nova capital perceberam essa vantagem e logo começaram a abrir lojas que eram doadas pelo governo da época. Hoje é proibido abrir comércio, e os proprietários brigam na justiça para não serem retirados.

O chefe da fiscalização que trabalha há oito anos no local, Gilberto João da Silva, diz que várias mudanças ocorrem durante os anos para melhorias estéticas. Os antigos quiosques de metal foram trocados por prateleiras de vidros, que tornam as mercadorias visíveis aos clientes. Ele sempre passa para olhar as vitrines, e conta: “o que realmente prejudica a imagem são os menores que moram debaixo das pilastras. Esses meninos sobem em cima das correias das escadas rolantes e as quebram, cada uma delas custa R$ 15 mil às vezes quebram mais de quatro por mês, por isso as pessoas dizem que está tudo mau cuidado”.

Ainda segundo chefe da fiscalização, a Rodoviária tem de tudo simplesmente por esta no centro de Brasília. Entre drogarias, armarinho, papelarias, lanchonetes, docerias, confecções, bancas de revistas entre outras lojas, ele acredita que tem produtos que não deveriam ser vendidos por ser um local sem muita higiene. “Sei que é bom para várias pessoas que saem do trabalho, mas aqui não é local apropriado para ter um açougue”.

A balconista da casa de carnes, Luciana Rodrigues, diz que “não é um local comum por causa do barulho e de muita gente, mas que é interessante para quem vai para casa com pressa”. Por outro lado o senhor João dos Santos, de 50 anos, diz haver grande vantagem para o trabalhador que passa por ali todos os dias e não tem tempo de ir ao supermercado, “sempre venho aqui, pois sou eu quem faz a comida no meu trabalho que é próximo”.

Mas nem só de carne vive o homem, para os vegetarianos ou para quem quer manter a saúde, também é mantido pelo governo em parceria com a Serasa um “sacolão”, as verduras, legumes e frutas são fornecidas pelo Programa de Abastecimento Integrado (PAI). Bastante freqüentado pelos donos de quiosques de lanches.

Os pontos de maior movimento são as lanchonetes. Para as pessoas apressadas e sem tempo para comer, os lanches rápidos são os mais pedidos. O vendedor, Agenário Araújo dos Santos, 26 anos, que trabalha há oito anos em um estabelecimentos especializado em pães de queijos, diz que “o movimento é bom, eu gosto do local, consegui manter um padrão de vida estável”.

Para quem sobe todos os dias pela plataforma F (superior) muitas vezes não percebe, a loja mística. Ela é de propriedade de Wagner Srestha, físico nuclear, que exerce a função de pai de santo e segue a doutrina socialista. Ele afirma que a Rodoviária é o ponto zero de Brasília onde passam pessoas de todas as culturas, e para ele nada mais natural do que ter uma loja de artigos religiosos. “Quando alguém procura meus serviços não leio a mão ou faço uma consulta espírita, mas falo sobre Karl Marx, entre outros socialistas que estudaram o funcionamento da sociedade, quero passar conhecimento teórico também. As pessoas estão muito preocupadas com o hoje, o físico e não mais com o transcendente, o intelecto e os sentimentos”.

A loja mais conhecida é a livraria que existe desde o principio, vêm pessoas de todos os lugares comprar livros, pois segundo o gerente da loja, Flávio de Souza ,que trabalha na livraria há mais de 25 anos, é a mais completa da cidade. “As pessoas chegam aqui pedem de livro de auto-ajuda a band-aid”.

Muitos passam todos os dias pela Rodoviária, variados são os destinos, apenas de passagem não vêem o centro comercial que tem ao redor, nem precisam perder o ônibus para ir às compras.

Nenhum comentário: