domingo, 16 de março de 2008

Dispostos até o fim
















O líder espiritual tibetano, o Dalai Lama, em entrevista em Dharamsala, na Índia, na qual denunciou que está ocorrendo um "genocídio cultural" no Tibete ocupado pela China. Foto: GURINDER OSAN/AP


“A China tem armas, mas não controla a mente humana”, disse Dalai Lama durante coletiva a imprensa


Segundo ele, não sabe se os manifestantes estarão dispostos a se render.


Felipe Menezes de Brito


Do Calango Net News


O líder espiritual Dalai Lama disse neste domingo que o Tibete está sendo alvo de “genocídio cultural”. Ele afirma que o governo chinês usa a força agressiva para chegar à paz. Dalai Lama pediu que fosse feita uma investigação internacional sobre a ação do governo chinês contra as manifestações ocorridas nesta sexta-feira na capital do Tibete, Lhasa.


A tensão começou na segunda-feira, quando cem monges budistas fizeram uma manifestação para celebrar os 49 anos de uma tentativa fracassada de independência da China. O governo do Tibete disse que o número de mortos chega a 100, mas as fontes do governo chinês discordam e reconhece apenas 10% (10 mortes), a maioria delas civis.


A capital do Tibete amanheceu tranqüila neste domingo. Alguns soldados chineses patrulhavam as ruas. Ao contrário do caos de sexta-feira, onde os manifestantes perseguiram chineses que vivem na cidade, acenderam fogueiras para incendiar seus pertences, realizaram saques e queimaram lojas. A polícia teria utilizado bombas de gás lacrimogêneo para dispersar os manifestantes.


O líder reforçou que o desejo do povo tibetano é a autonomia. Segundo ele, as autoridades chinesas impõem ao desenvolvimento do Tibete nos campos da educação e da formação nos mosteiros tibetanos. Dalai Lama enfatizou que apóia a realização das Olimpíadas em Pequim, pois é a oportunidade para os chineses demonstrarem alinhamento aos princípios da democracia e da liberdade de expressão.